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Montadoras utilizam a reestilização para aumentar a vida dos carros

“Ninguém tem coragem de defender em reunião a decisão de interromper a produção de um carro com grande volume de vendas.” A frase é de José Carlos Pinheiro Neto, então vice-presidente da GM, ao falar de mais uma reestilização do Corsa Classic.

Vários modelos de carros que estão sendo bem comercializados estão recebendo poucas mudanças – ou reestilização – apenas para adaptar os modelos às tecnologias atuais, ou seja, mantendo o visual que está sendo bem recepcionado pelos clientes, mas com novidades para atrair novos.

“São modelos com uma margem de lucro alta”, avalia Ricardo Bock, professor de engenharia automotiva da FEI (Fundação Educacional Inaciana). “O custo do projeto já foi pago, e a produção, com ferramental antigo, é mais barata.”

Exemplos não faltam. Tanto a própria GM, VW e Peugeot tem optado por essa prática, tendo em vista o aumento dos lucros. E segundo Fabrício Biondo, diretor de marketing do grupo PSA “Com as reestilizações, as montadoras oferecem aos consumidores ávidos por novidades produtos com preços que eles estão dispostos a pagar”, afirma.

Esticar a vida de produtos não é exclusividade do Brasil. Há mercados que usam carrocerias ainda mais datadas. No Irã, por exemplo, a Khodro fabrica modelos com plataforma do Peugeot 405.

No Brasil, especialistas apontam queda no atual ciclo médio — quatro anos para reestilizações e oito anos para novas plataformas. “O ciclo está ficando mais curto devido à dinâmica do mercado e ao amadurecimento do consumidor, cada vez mais exigente”, assevera Biondo.

via: Folha

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